
1 – Hail amigo Amílcar!! Cara você não imagina o prazer que sinto em poder esta entrevistando vocês. Pra começo de conversa, meus parabéns pela vitória lá no Wacken! Creio que ápartir de agora muitos imbecis que não valorizam as bandas nacionais irão repensar na sua imbecilidade! Conte como foi vencer o Metal Battle no Wacken 2007?
Amilcar – Valeu pelas palavras.Foi uma sensação muito boa, principalmente pelo fato de que alcançamos o nosso objetivo de anos que era conseguir assinar com um selo de fora e assim a gente ter o nosso disco lançado no mundo todo. Fomos totalmente com o pé no chão sem esperar nada de ninguém, mas se rolou dessa forma então era pra acontecer.
2 – O que muda depois desta vitória, não só em termos profissionais, mais em termos pessoais também?
Amilcar – Pra gente pra ser bem sincero...nada!(risos) É claro que sentimos muito a energia fudida que amigos, bandas e a família tem nos dado antes e depois do festival, torcendo e tal... Mas a gente continua trabalhando da mesma forma pois é isso que toda banda tem que fazer.
3 – Qual era o clima entre as bandas que la estavam disputando? Chegaram a fazer amizades ou ter algum contato com elas?
Amilcar – Conhecemos a maioria das bandas que tocaram também e todos foram extremamente gente fina com a gente e na verdade o clima não é de disputa não, até porque a música não foi feita pra disputa, a música é uma coisa muito natural que não são notas de jurados que vão determinar se você faz uma coisa boa ou não. Se você gosta do que vc está fazendo então já basta.
4 – Na sua opinião, quais os elementos que fizeram de vocês os melhores entre os melhores nesta batalha?
Amilcar – Creio que o nosso estilo Thrash/death , principalmente pela nossa influência de “thrash old scholl”.Pois pelo que vi nos shows de algumas bandas que estavam participando a gente era a única no nosso estilo.
5 – "Hellbound" já ira sair pela gravadora alemã, Armaggedon Music Rec. Quando ele finalmente ficara disponível e como vai ficar a distribuição e divulgação deste e dos próximos álbuns de vocês aqui no Brasil? Ele será lançado aqui por alguma gravadora nacional? Afinal o contrato com os alemães é apenas para este álbum e impede de lançá-los por outros selos?
Amilcar – A gente tá fazendo de tudo para que o Hellbound saia aqui no Brasil até o final do ano mas creio que vai ser difícil. A Armaggedon já nos disse que o Hellbound vai sair na europa em fevereiro de 2008 seguida de uma tour entre abril e maio e por isso acreditamos que eles vão querer que saia aqui no Brasil nessa mesma época também. Aqui no Brasil pelo que a gente sabe tem três gravadoras interessadas em lançar o disco mas agora tem que ser tudo conversado com a Armaggedon pois o disco é deles, tanto que já foram feita as propostas pelo disco para lançar aqui. O contrato é mundial, então a Armageddon detém o direito de licenciar o disco para o mundo inteiro sendo assim não poderíamos simplesmente lançá-lo por alguma gravadora aqui no Brasil como sempre fizemos.
6 – "Hellbound" é o titulo do próximo trabalho, mais quais os títulos das musicas, que este novo trabalho ira trazer e sobre que temas eles foram escritos?
Amilcar – No total são 10 músicas sendo que tem a intro e uma música instrumental de violão do Mauricio. MMXII (Intro), Living fot he Kill, The Beast Within, The Fall of Man, Chaos Corporation, Man Behind the Mask, In the Cyber War, Twilight for all Mankind, Four Winds e Hellbound.
Como sempre quem fez as letras foi o Vitor e as vezes com alguma ajuda do Castor. Esse disco foi como os outros, são temas variados no qual a gente acha legal falar sobre, por exemplo... A Man Behind the Mask fala sobre um caso de um Padre da Igreja católica que era pedófilo e a letra é tentando sacar o que se passa na cabeça desse psicótico fdp, a Living for the Kill aborda essas merdas dessas guerras que as religiões proporcionam, a In the Cyberwar é sobre “guerras” cibernéticas, pois com toda essa tecnologia que a internet nos proporciona, estão acontecendo várias conspirações dentro da rede que muita gente nem imagina, e por aí vai.
7 – Como foram gravadas e construídas/compostas as novas musicas do Torture Squad? Alguma novidade ou nada mais, que o bom e velho Thrash Death Metal do Torture Squad?
Amilcar – Bom...Na pergunta vc já respondeu.(risos). Pra mim o Hellbound é o disco mais variado da gente misturado com as nossas raízes thrash/death metal que na verdade não temos como fugir pois esse é o estilo que amamos tocar. A gente compões da mesma forma que sempre, no estúdio ensaiando ou na estrada vem as idéias e depois tá todo mundo juntando tudo e fazendo as músicas.
8 – Qual será a capa, qual o seu significado e quem foi o criador?
Amilcar – A capa, o Vitor navegando pela Internet, achou no site de um desenhista inglês chamado Paul Gerrard. Todos gostaram do desenho , achamos que tinha total a ver com a música Hellbound e com o disco é claro. Entramos em contato com elee rolou tudo certo, com certeza é uma das melhores capas da gente.
9 – "Chaos Corporation" foi o primeiro single da banda, certo? Porque o mesmo foi lançado de forma limitada e independente? Qual foi ou é o seu limite e qual o seu valor?
Amilcar – O Chaos Corporation teve várias funções na verdade.Como tínhamos que esperar até assinarmos com uma gravadora gringa para lançá-lo, resolvemos lançar esse nosso primeiro single para o pessoal já começar a sacar as músicas novas e saber que continuamos trabalhando pois o nosso último lançamento de estúdio foi o Pandemonium de 2003. Aproveitando já colocamos três músicas re-masterizadas da nossa primeira demo chamada “A Soul in Hell” que lançamos em 1993 e que muitos fans da banda não tinha e nos perguntavam como é que eles poderiam conseguir esse material, então juntamos os dois e mais o clipe da Pandemonium ao vivo e colocamos no single. Lançamos independente sim e foram só 1.000 cópias limitadas para o Brasil .
10 – Neste mesmo trabalho tem o clipe para a musica "Pandemonium", como foi fazer este clipe e o seu custo? Porque a escolhida foi "Pandemonium"?
Amilcar – Como sempre temos amigos que ajudam a banda e são profissionais ao extremo, nesse caso to falando do diretor do clipe que é o Patrick Korb. O custo não ficou alto não e no final ficamos extremamente satisfeitos. O Patrick é um puta profissonal e fez um trabalho muito bom. Escolhemos a Pandemonium por ser o nome do disco anterior e porque ela é uma “thrasharia” sem descanso. A música com as imagens ficou uma coisa meio sufocante quando vc assiste porque é tudo muito rápido, ficou bacana.
11 – Poderia fazer comentários sobre os álbuns de vocês citando principalmente números de vendas, quais ainda esta em catalogo, se irão relançar os que já não tem e os meios que foram usados para gravá-los em suas épocas?
Amilcar – Falar em número de vendas exato eu não posso te falar com certeza pois teria que fazer uma contagem geral com todas as gravadoras que já trabalharam com a gente, e não foram poucas (risos), mas creio que juntando todos os nossos discos deve estar nos 10.000 discos na praça junto com os dvd’s e tudo. Te digo isso muito feliz porque pra uma banda underground que sempre foi atrás pelas próprias pernas acho uma vitória fudida. Se não me engano tirando o Shivering, todos estão em catálogo ainda mas pra achar você tem que ir na gravadora que lançou mesmo, como a Voice Music (Death, Chãos and Torture Alive cd e dvd), Mutilation Records (Pandemonium) e Destroyer Records (Aylum of Shadows e The Unholy Spell). Todas as gravações foram no mesmo esquema, gravando cada instrumento de uma vez e está cada vez ficando melhor porque temos ferramentas que não tínhamos na época do Asylum of Shadows por exemplo, e tentamos usufruir ao máximo dessa tecnologia que está disposta hoje.
12 – Voltando um pouco no passado, quando vocês estavam lançando o debut "Shivering", lembro de ter lindo uma entrevista, no zine The Mirror, na época onde falaram sobre problemas com um italiano e com a CD Press, que acabou ate tendo que ir a policia. Como foi isso?
Amilcar – Poxa tem que lembrar mesmo disso?(risos)Na verdade teve dois casos, o do Italiano eu fico pensando hoje que na verdade ele queria realmente fazer mas não tinha experiência e só fez cagada e a gente como não sabia de nada também, entramos na dele acreditando mas aí no final pegamos o dinheiro de volta. Aí vem a segunda parte, fomos até uma rapaz chamado Rubens que tinha uma microempresa no centro de SP e ele mandava fazer cds na Microservice, Cd Press, enfim... Fomos lá para mandar fazer finalmente o nosso primeiro disco e esse sim foi um caso de chamar a polícia pois a gente já tinha pago a segunda parcela do valor total e o disco não chegava.O tempo passando é claro e ele dava amostras de que ia dar um cambal na gente, então resolvemos chamar a polícia e o negócio foi para até na delegacia e o caraio.(risos)Dou risada hoje mas na época queria matar aquele fdp. E com toda essa enrolação o disco que deveria ter saído em 1995 saíu em 1998. Por essas e outras que vejo muitas banda desistindo por causa de uma ou outra pedra que aparece no caminho, e na minha opinião é porque não ama o que faz, porque se amasse passava por cima de tudo e de todos como sempre fizemos trabalhando dentro da honestidade e do bom senso é claro. Se fosse por dificuldade o Torture não tinha nem começado.
13 – Eu tenho aqui o "The Unholy Spell" autografado, que comprei em um puta show de vocês em Serrinha/BA. Por sinal um dos shows inesquecíveis da minha vida! Qual é a diferença pra vocês, entre esta tocando para um publico de um evento gigantesco como o Wacken e o de um evento como o citado anteriormente?
Amilcar – Na vibe de tocar não muda absolutamente nada porque o que mais gostamos de fazer na vida é tocar, é estar em um palco tocando as nossas músicas. É claro que existe diferença de você tocar em um lugar com uma estrutura melhor que a outra, mas a energia pra tocar é a mesma.
14 – Creio que das bandas nacionais que estiveram em turnê pelo nordeste vocês e Dominus Praelii foram as que mais tocaram por cidades baianas. Existe alguma cidade em que tocou que mais gostou? Alguma em especial que queira tocar e conhecer ainda?
Amilcar – Todos nossos shows na Bahia foram bons. A energia dos headbangers baianos é muito foda e citar um show especial pode ser o que fizemos em Salvador na última vez. Pra te falar a real, pra mim todas as cidades que não tocamos ainda são cidades que quero tocar e conhecer.
15 – Conhecer varias cidades, pessoas e locais é uma das grandes vantagens de se ter uma banda de sucesso como a Torture Squad, tou certo? Trocariam esta vida por alguma outra?
Amilcar – Sucesso?Bom... Depende de como você define essa palavra mas enfim...(risos) Com certeza conhecer lugares, pessoas e mundos completamente diferente do que você vive com certeza é um presente por todo esforço que temos em tentar viver da nossa música. Eu já troquei minha outra vida por essa então pra mim a pergunta é se eu voltaria certo?Não...Apesar de todas as dificuldades, não voltaria pois é esse estilo de vida que eu amo.
16 – Já que estamos falando em viagens, shows e turnês. Quais os planos neste sentido no território nacional e internacional?
Amilcar – Como sempre estamos marcando shows e tentando tocar o quanto pudermos. Na gringa como te disse já sabemos que entre abril e maio de 2008 vamos fazer uma tour pela europa e tocaremos de novo no Wacken que é no final de julho começo de agosto. Aqui no Brasil estamos tentando de todas as formas fechar uma tour entre fevereiro e março para o sul, assim finalmente chegarmos ao RS que tanto queremos e claro até o final do ano marcar uma tour pelo nordeste pois vamos estar divulgando o Hellbound.
17 – Vocês já podem se manter da Torture Squad, se não como fazem pra sobreviver? Se já sobrevivem, o que faziam antes?
Amilcar – Hoje todos vivem diretamente da banda só ainda temos que ter algumas coisas por fora como eu por exemplo dou aulas e toco de vez em quando em algumas bandas covers aqui em SP. O Mauricio e o Castor também dão aulas e o Vitor faz um trabalho de tradução para algumas revistas. Antes todos tinham empregos “normais”, eu fui office-boy e vendedor. Um fato curioso é que todos nós chegamos a trabalhar na galeria do Rock quase que simultaneamente em lojas diferentes pois lá a os donos das lojas entende o lado da banda e tal...
18 – Sendo uma banda de Metal, o que acha de divide palco com bandas de outros estilos dentro do Rock? Recentemente vocês tocaram com o Cólera. Como foi e o publico?
Amilcar – Animal!É muito fudido ver que dá pra todo mudo curtir numa boa e quando não quer curtir, simplesmente espera entrar a que ele tá esperando civilizadamente e pronto, maravilhoso!Os caras do Cólera são gente boa demais e fizemos uns quatro ou cinco shows juntos e foi bem a mistura de headbangers e punks regado a muita cerveja.Ou seja perfeito.
19 – Algumas musicas de vocês falam sobre Ufologia. O que poderia falar sobre ele para que leigos possam saber mais e possam buscars mais sobre o tema? Sua posição quanto ao temas cristianismos/White Metal, satanismo/Black Metal e o livro lançado recentemente pelo porco da Universal?
Amilcar – Quanto a Ufologia é uma coisa que muitos não dão bola porque não foram afetados diretamente. Eu nunca fui afetado diretamente na verdade mas que existem coisas estranhas voando pelo céu e não estamos sozinho nesse mundo, isso é uma certeza. Creio que esse assunto nos fascina porque é uma coisa misteriosa pois você não vê toda hora mas existe. Então de uma forma ou de outra ela prende a nossa atenção, por isso que fizemos algumas letras abordando isso. Em relação à religião, pra te falar a verdade eu acho muito mais normal falar sobre o mal nas letras do que sobre Deus. Até porque o Metal veio pra ser uma música diferente, pra contrariar, pra revolucionar, pra assustar, pra mostrar que temos a nossa voz e não pra dizer que Deus é bonzinho com uma voz que parece o capeta cantando, olha a contradição nisso.Tanto que o Black Sabbath lá no começo incorporou esse lado negro nas letras e isso fez com que o Heavy metal no geral tivesse essa áurea do mal, e isso é o que é mais fudido no metal. Em contrapartida também acho que esse lance de queimar igreja exagerado demais. Na minha opinião escutar um Deicide e cantar alto Once Upon the Cross é uma atitude muito mais fudida do que fazer algo desse tipo.
20 – O MP3, creio eu seja uma das tecnologias que mais tem dado prejuízo as bandas e ate tem caras que dizem apoiar a cena que copiam bandas nacionais. Qual a sua opinião sobre isso? Será que daqui a pouco as bandas não irão mais lançar CD? Que graça tem ter apenas as musicas e perder toda arte que compõem um álbum? Não digo nada quando se é banda gringa, mais nacional é foda!!!!
Amilcar – Pois é ,eu prefiro acreditar que muitos baixam as músicas porque muitas vezes não tem os R$15,00 ou R$20,00 para comprar o cd e eles baixam as músicas para não ficar sem escutar e assim que tiverem grana vão lá e compram. Acredito nisso porque o headbanger é assim, ele sente necessidade de ter o cd com todas as informações de gravação, quem participou, quem lançou, qual ano pois isso numa roda de headbangers são informações que valem ouro!(risos)Isso aliás é uma característica do fan de metal que nenhum de outro estilo musical tem na minha opinião.Eu sou bem otimista em relação a isso, eu acho que o cd vai continuar e as empresas vão baixar os custos dos impostos para o cd chegar na loja num preço mais acessível. Aliás demorou pra já fazerem isso mas creio que num futuro próximo isso vai acontecer.
21 – Porque diferente de vocês e outras como o Krisiun, Dominus Praelii e Head Hunter D.C., algumas bandas quando grava um CD e fecha contrato com gravadora, esquece dos zines artesanais xerocados? Qual a importância deste meio para o que é o Torture Squad hoje?
Amilcar – Tem total importância, pode ter certeza, porque nos nossos primeiros shows sempre tinha uns fanzineiros batalhadores querendo fazer entrevistas e o material da banda para resenhar.Os fanzineiros são tão guerreiros quanto nós de banda por isso devem ter a mesma atenção do que qualquer outro veículo de comunicação. Não sei sobre as outras bandas mas recentemente eu li uma entrevista do Krisiun em um fanzine aqui em SP. As vezes nós de bandas estamos numa correria tão grande que pode acontecer de demorarmos para responder mas com certeza temos de dar a mesma atenção de sempre.
22 – Obrigado Amílcar por esta oportunidade de te-los em meu humilde Odicelaf Zine e obrigado também por mostra aos gringos e aos idiotas que ainda pensam que os gringos são melhores, que mesmo sendo do terceiro mundo temos bandas fudidas e vocês são apenas mais uma amostra do que temos em nosso querido pais! Obrigado!
Amilcar – Valeu você pela oportunidade de divulgar o Torture Squad no Odicelaf Zine, aliás bem bolado esse nome hein(risos)e boa sorte na estrada. A todos os headbangers uma grande abraço e muito obrigado por toda força que estão nos dando. Nunca esqueceremos isso!



2 comentários:
oTIMA ENTREVISTA!
COM O TORTURE SQUAD...
OTIMA ZINE!
OTIMO TRABALHO DE
Adauto dantas
Sucesso a voces!!!
Muita força e Honra!
Eufrasio Alves/Terror Fetus/Bass
Parabéns pelo trabalho Adauto!!!
Grande Torture, orgulho nacional, grandes caras!!!
Nyelson Weber
Tanatron
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