
1 – Saudações Rodrigo, meu amigo dos velhos tempos! É um prazer poder entrevistá-lo para falar de vossa horda e demais atividades que tem feito em prol de nosso profano Metal! Para início eu gostaria que explicasse o porque de batizar a horda com o nome de Amaduscias e como se deu a formação da mesma?Rodrigo) A Amaduscias surgiu após o término de um antigo projeto meu e para que surgisse uma nova hora seria necessário que tivesse também um nome forte, que representasse ao mesmo tempo um nome historicamente respeitado mas que também que tivesse a ver com o a ideologia e proposta musical da banda e é isso que é a Amaduscias (vide significado de AMADUSCIAS em www.myspace.com/amaduscias).
2 – "Moral, Honour, Truth" (Moral, Honra e Glória), dificilmente encontramos isso nas pessoas hoje em dia, não é? O que levou a escolher estas palavras para o título da debut demo?
Rodrigo) Uma das coisas que sempre buscamos colocar na Amaduscias são atitudes que nos levem a ter moral e respeito sobre tudo e sobre as pessoas que nos envolvemos ou que a Amaduscias acaba envolvendo e claro que tudo que se faz, se busca um reconhecimento e respeito e isso nos faz alcançar a glória que foi citada! Não pensamos em ser reconhecido mundialmente com grandes turnês, sabemos dos passos que deveriam ser seguidos e de muitos sacrifícios que deveríamos tomar, mas queremos que, através de nosso trabalho com a Amaduscias, tenhamos o respeito e admiração das pessoas ligadas ao “metal”. Creio que enquanto mantermos nossa “transparência”, sempre seremos alvos de inveja e de reconhecimento também... o underground está repleto de pessoas de “ótima linhagem” mas também tem cada “inútil”!!! Mas a luta continua...
3 – Tratando-se de um ensaio, até que se saiu muito bem o promo-cd “Moral, Honour, Truth”, recebendo muitos elogios, não foi? Esperava que ela fosse tão bem aceita? Que recursos foram usados para captar as músicas?
Rodrigo) Sinceramente quando fomos gravar o promo-cd “Moral, Honour, Truth” não imaginávamos que estávamos tão preparados assim. A questão da boa gravação, tratando-se de um ensaio foi que primeiramente, vínhamos de uma série de shows e ensaios e creio que isso nos levou a gravar aquele trabalho sem muita perda de tempo, também porque dinheiro para algo melhor não tínhamos naquele momento. Acreditamos que a qualidade foi por isso, a banda estava mesmo preparada e conseguimos captar tudo sem muito esforço. Passávamos por alguns problemas internos, o que fez com que após o trabalho “pronto”, eu entrasse novamente em estúdio para regravar todos os vocais, já que tiramos o antigo vocalista...
4 – O próximo passo será mesmo a gravação de um CD? Ou uma demo melhor produzida e oficial? Como será o próximo trabalho?Rodrigo) Já estamos com algumas músicas gravadas, elas farão parte de um split-cd que deveremos dividir com a horda mineira Dark Opus. Acreditamos que para dezembro, no máximo janeiro de 2008 esse trabalho estará disponível. Para fevereiro já estamos prevendo também o lançamento de um EP, então temos muito trabalho para esse final de ano e aí sim, em 2008, sem data para lançamento, deveremos pensar no lançamento de nosso álbum. Para quem quer conhecer a atual fase da Amaduscias pode conferir uma das faixas desse split-cd em www.myspace.com/amaduscias a faixa é a “Only One Nation”.
5 – "Nossos hinos são criados com ódio e crueldade, com a finalidade de resgatar a cultura de nossos ancestrais..." Poderiam explicar melhor o conteúdo lírico de vocês? Qual são esses ancestrais citados e onde buscam inspiração? Qual a importância da cultura pagan nacional pra vocês?
Evandro) Quando falamos de nossos ancestrais estamos se referindo a pessoas que num passado não muito distante estavam lutando e derramando sangue em suas batalhas, por seus ideais e devido a sermos nascidos no Rio Grande do Sul, a maior inspiração é sem dúvida a batalha de Pulador, que aconteceu aqui perto de minha cidade, foi a batalha mais sangrenta do Rio Grande do Sul e até mesmo do país, além dessa houve também da nossa Revolução Farroupilha, que todos já devem ter escutado algo a respeito. Aquela chama revolucionária e guerreira é sempre fonte de inspiração. Para nós é muito interessante estudar e ver o que o cristianismo fez e ainda faz com quem não cultua ou segue sua doutrina, é um absurdo! Os índios e povos antigos existentes no nosso país foram desde o início tratados como animais, basta ver o que aconteceu por exemplo na região das missões, onde padres Jesuítas tentaram catequizar os índios, tentaram mudar suas maneiras e culturas, já que estes mesmos tinham seus próprios deuses, sua própria cultura e como os Jesuítas não conseguiram a maneira de pensar e viver dos índios, acabaram usando estes povos para mão-de-obra escrava, muitos foram mortos e sacrificados simplesmente porque eram um povo pagão.
6 - "Lutamos por nosso país, por nossa terra, por nossa cultura...". Comente este trecho. Já tiveram algum problema por má interpretação dele?
Evandro) Sempre tenho que responder isto, mas vamos lá, fazemos parte de um dos maiores países do mundo, onde teve muitas revoluções, só que somos do Rio grande do Sul e aqui nossa cultura está voltada à forma de vida e atitudes de nosso povo vivido no sul, desde sotaque, à maneira de se vestir e temos orgulho disso, tentamos resgatar e manter viva a nossa identidade regional, assim como cada pessoa deste país deve ter orgulho de seu estado e suas culturas, isto é muito normal, não se trata de separatismo ou algo do tipo, cada um deve se orgulhar do seu próprio estado e lugar aonde vive e foi criado, não vejo nada demais nisto.
7 – Qual a preocupação de vocês em esclarecer a mudança do rótulo de Pagan Black Metal para apenas Black Metal? Qual a diferença entre eles ou o War Black Metal?
Evandro) Hoje para falar a verdade, a Amaduscias está muito focada em temas mais culturais e com algumas críticas ao cristianismo. Não somos uma horda de Satanic black metal, como falamos muito sobre povos e culturas antigas, o “pagan” é mais perto de nossa proposta lírica, as bandas européias fazem muito isto, eu não vou falar de algo que faz parte da cultura de outro país, por isto, temos como foco a cultura de nosso país e nosso estado, acima de tudo. O war metal às vezes é visto como estilo de bandas que tem em suas letras, temas políticos ou algo NS, também não somos ligados a nenhum movimento desta linha, claro que não são todas as bandas. Hoje a horda está com quase a 6 anos de existência, eu faço parte desde início dela e posso dizer que, nosso estilo está muito amplo, agora quanta a parte lírica, estamos com os mesmos ideais, porém, o som está mais amplo e variado e somos acima de tudo uma horda black metal, mas que agora, no nosso próximo trabalho, vai mostrar uma nova cara, uma nova maneira de fazer black metal, brutal e técnico, não ficamos por ai falando um monte de merda para parecer radical, igual a muita banda e o cara vai escutar o som, é um lixo. Temos a proposta de fazer algo que nos agrade, mas que seja acima de tudo, feito com qualidade.
8 – Rodrigo, quando começamos a ter contato, você estava na Embalmed (death-doom metal), que lançou uma demo e um CD. Porque esta banda acabou e quantas cópias foram distribuídas daquele álbum? Ainda o tem? E a temporada tocando com o Centennial como foi?Rodrigo) A Embalmed foi um importante passo em meu desenvolvimento como músico. Quando eu a formei, ao lado de meu amigo Vagner, buscávamos uma banda que fosse “underground” e que transparecesse o estilo que predominava para nós no momento. Não tínhamos conhecimento o suficiente para fazer logo um trabalho abordando o black metal mas a essência já estava presente (veja os backing vocals) e também porque a temática black metal não era aceita pelos integrantes que foram recrutados algum tempo depois... o motivo que a banda acabou digamos que tenha sido “desentendimentos internos”. A demo foram distribuídos milhares de cópias, muitas mesmo, não tenho idéia de quantas, já o cd creio que poucas foram distribuídas pois não muito após do lançamento, a banda acabou. Se eu ainda tenho? Tenho sim, mas nem lembro como eram os riffs ou uma batida sequer, pois não ouço desde que a banda terminou... Já a minha temporada com a banda Centennial foi muito boa e interessante, eu já acompanhava o trabalho deles quase que desde a formação da Embalmed, sempre gostei da banda e foi num momento em que estávamos com problemas com a horda antecedente da Amaduscias que surgiu o convite de fazer parte da Centennial... naquelas condições e com reconhecimento pelo som (doom/heavy metal) e principalmente pela grande amizade que eu tinha com eles, passei a tocar com a Centennial e isso durou mais de 1 ano e vários shows espalhados pelo RS, SC e SP mas que ficou difícil de segurar após tanto tempo, visando a dificuldade de ensaios pois eu continuei morando no RS (a Centennial era uma banda do ABC Paulista) e claro, surgiram diversos problemas pessoais, enfim, infelizmente fiz um último show com eles e foi muito ruim deixar a banda mas daí surgiram novas idéias, novos projetos...
9 – Você é um dos responsáveis pelo webzine Metal Attack (www.metalattack.com.br), que atualmente está passando por uma situação não muito agradável. Como isso pode acontecer? Aponte os principais motivos...Rodrigo) O Metal Attack surgiu da fusão de dois trabalhos, do meu zine World Demise e do webzine Extreme Metal Art que era levado pelo meu grande amigo Jorge Krening. Sabíamos que ambos faziam bons trabalhos mas que sem uma união, nenhum nem outro daria passos mais ambiciosos e por isso montamos o Metal Attack. Eu poderia lhe escrever páginas para explicar toda a trajetória do Metal Attack, problemas passo-a-passo (são muitos, você nem imagina!) mas para resumir, posso lhe dizer que para um trabalho como o que o Metal Attack busca fazer, para dar certo, é necessário muito empenho, é necessário que uma equipe realmente se dedique, de forma profissional e não é o que acontecia com o Metal Attack aonde de uma equipe em média com uns 15/18 colaboradores, apenas uns 3 ou 4 eram realmente ativos e mandavam trabalhos de qualidade, com freqüência. Se não bastasse isso, a questão financeira também é um grande problema enfrentado, isso não somente para um webzine, como para uma banda, uma loja de metal... enfim... e para tudo isso dar certo, um investimento financeiro também seria necessário, e para haver esse retorno financeiro para custear as dívidas, em primeiro lugar é preciso uma equipe que mostre trabalho, para que possa ter o respeito e reconhecimento “dos grandes”. Esse fator “reconhecimento dos grandes” já tínhamos porém, ainda não o suficiente para que eles investissem “grande”.. quem investe quer de alguma forma retorno de seu investimento... enfim... O Metal Attack continua lutando para por seu trabalho, da mesma forma de sempre, fiel aos leitores e com atualização de qualidade, se fosse pedir alguma coisa seria um apoio maior das bandas pois o Metal Attack existe por/para elas mas nem as próprias bandas apóiam/investem no site, ou seja, falar é fácil, querer seu nome estampado é bom, mas para tudo se tem um “preço”, seja eles “simplórios” ou não, mas existem... creio que um nome, um logotipo, uma foto, uma capa de algum trabalho, estampado na “cara” do Metal Attack seria muito mais válido que dezenas de e-mails “desperdiçados”... basta então as bandas avaliarem o que lhes convém ou não!
10 – Voltando a Amaduscias, já saiu o tributo ao Amen Cormen? Qual a importância desta horda e do hino "Black Thorn" pra vocês? Quais as outras hordas que estão participando?Rodrigo) O tributo ao Amen Corner está previsto para o início de 2008, essa é uma das mais importantes hordas de black metal do Brasil. Sua trajetória nos presenteou com excelentes trabalhos, explorando um instrumental inovador e com uma temática definida desde seus primórdios. Já dividi palco algumas vezes ao lado do Amen Corner e posso lhes dizer que foi uma grande satisfação. A “Black Thorn” faz parte de um dos melhores álbuns já lançados no Brasil em temos de black metal, com uma sonoridade que ainda não tinha sido explorada, um trabalho instrumental excelente, “cristalino”, isso sem falar dos excelentes vocais feitos pelo Paulista, creio ser muito difícil ser repetido um álbum como “Jachol Vê Tehilá”.
11 – Geralmente as bandas de Black Metal usam corpse-paint e também pseudônimos. Porque vocês usam um e o outro não? Qual a importância e significado do corpse-paint?
Rodrigo) Desde o início da Amaduscias já tínhamos definido que não usaríamos pseudônimos, porque não temos motivos para esconder nossos nomes, até para lhe ser sincero, hoje em dia não usaremos mais corpse-paint e pelo mesmo motivo que não usamos pseudônimo. O uso dele é uma forma de expressão, como se fosse usar uma “vestimenta” para ir à guerra. Hoje acreditamos que podemos fazer tudo isso sem o corpse-paint, temos uma evolução e anseios maiores.
12 – Rodrigo, para finalizar, me responda, quem “merece o respeito de vocês”? Obrigado pela atenção!Rodrigo) O respeito não se impõem, se conquista! Então para isso, estamos sempre abertos a diálogo e com isso, saberemos se essas pessoas merecerão ou não nosso respeito... é por aí como funciona a Amaduscias! Visitem www.myspace.com/amaduscias e entrem em contato, participem também de nossa comunidade do Orkut http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1779284 .



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