domingo, 17 de fevereiro de 2008

POSTWAR


1 – Saudações meu caro amigo Cleber e todos da Postwar!!! A banda tem apenas seis anos, mas neste tempo, que não é muito, sofreu muito com mudanças na formação. Quais foram os motivos que levaram a tantos “entra e sai” e quais problemas além deste levou a parada da banda em 2004?
Olá Adauto, meu amigo e todos os leitores do ODICELAF. É um enorme prazer estar participando deste zine que luta pelo fortalecimento da cena. Bom, o que ocorreu com o POSTWAR neste período foi que entraram várias pessoas na banda que não pensavam como o restante de nós. Cada um tinha sua prioridade e sempre a banda ficava de lado. No ano de 2004, a formação estava desgastada, com problemas internos. Resolvemos dar uma parada sob esse nome e continuar fazendo um som, dando prioridade ao trabalho próprio principalmente, coisa que estava difícil de ser feita durante o período entre 2001 a 2004. E assim foi, compomos e ensaiamos até o ano de 2005.

2 – Um ano depois de dar como encerrada as atividades da Postwar, vocês decidem retornar as atividades. Porque? Qual foi o ponto inicial para este retorno?
Resolvemos voltar, pois a banda inteira estava lá, menos o antigo componente que não se encaixava nos ideais gerais da galera. Quando surgiu a idéia de voltar, pensamos em escolher um novo nome para o até então “novo projeto”, mas como ficou difícil de escolher e todos (instintivamente) pensavam em voltar como “Postwar”, quando surgiu o assunto, todos gostaram. Bruno e eu (baixista e vocalista/guitarrista, respectivamente) tocávamos em um outro projeto, e o Elvis (baterista) também tinha um outro projeto. Trouxemos o guitarrista deste nosso projeto e então o resto deu no que deu. No momento a formação está estabilizada, desde o final de 2006, quando esse guitarrista que tocava no outro projeto saiu fora da banda (mais uma mudança de formação). Entrou então o nosso atual guitarrista (Marcio) que está no “gás” conosco. E vamo que vamo... 2008 já está aí... (rss...).

3 – No mesmo ano de 2005 e inicio de 2006, vocês finalmente gravam a debut demo "Attack" com cinco musicas que já vinham trabalhando desde o inicio da banda em 2001. Por que gravar estas e não compor outras? Como foi a primeira experiência de estar gravando o primeiro trabalho?
Resolvemos gravar os sons que tinham mais a ver com o lançamento. Na época tínhamos mais 3 (três) sons compostos e várias idéias de riffs e letras, mas resolvemos registrar os cinco sons da demo. Acredito que tenha sido uma boa idéia gravar aquelas 5 (cinco) faixas naquela época, pois são músicas que nos dão prazer de tocá-las até hoje. A primeira experiência sempre é marcante então foi bem bacana e especial gravar a demo. De certa forma, muitas idéias surgiram no estúdio e é bacana pensar na forma como cada coisa ocorreu. Estúdio é um lugar que gosto muito de estar, tanto quanto o palco (fazendo shows) e o bar (tomando “umas”... rss...).

4 – A gravação, mixagem e masterização foi a cargo de Junior Sial (citado no release) ou de Marcos Verdu Jr. (citado no encarte)? Por qual razão escolheram o Cativeiro Studio para as gravações?
Na verdade, acho que o nome do cara que trabalhou na demo é Paulo Verdú jr. (rss...). Sério. Existe duplicidade de informações, mas todas se referem a um único indivíduo. Na época da gravação da demo, perguntamos o nome dele (pois até então todos o chamavam somente de “Júnior”) e ele falou pra colocar Júnior Sial. Tudo estava definido até o momento que, em uma outra demo gravada por ele, vimos o nome real do cara, mas na hora de escrever, eu (tudo bem, eu sou o culpado por essa zona... hahaha) troquei os nomes e “zoei o barraco” (rss...). Escolhemos o Cativeiro, pois na época, era a melhor opção de valores e a qualidade na região, e para uma demo, estava no nível que procurávamos. Hoje ele não está no mesmo lugar e também estamos no momento, buscando uma sonoridade mais profissional (em relação à qualidade de gravação).

5 – A produção musical ficou a cargo de Marcelo "Índio" D'castro do Necromancia. Como foi trabalhar com ele, o por que de escolherem ele para este trabalho e o que acharam do resultado final? Comente também sobre as participações dos convidados.
Então, na época (2005), eu era aluno de guitarra do Índio (que, além de um grande professor de guitarra do ABC paulista – ele já deu aula pra quase todos os guitarristas de bandas de metal na cena do ABC - é um grande músico e tem uma banda da qual admiro demais, o NECROMANCIA) e durante as aulas, mostrava algumas idéias a ele, até o momento que o Índio foi dando palpites que sempre melhoravam o som, tanto na estrutura musical quanto em idéias de harmonias. Ele não participou ativamente da produção durante a gravação propriamente dita, mas foi uma grande ajuda pra banda naquele momento de pré-produção. Os convidados presentes na demo são nossos amigos de longa data, que vivenciaram todas as fases da banda, então nada mais natural do que chamá-los para ter registrado a parcela de ajuda deles, pois, são esse amigos que fazem a total diferença. Na gravação do “Attack”, metade das linhas de guitarras foram gravadas por nosso antigo guitarrista (Maurício) que também teve a sua parcela de contribuição nas conquistas alcançadas até o momento.

6 – "Attack" já esta rodando na cena já tem um bom tempo. Quais os frutos alcançados durante este período? Muitas demos distribuídas/vendidas e os comentários da imprensa, como tem sido?
Com o “Attack” conseguimos o reconhecimento de nosso trabalho na cena underground nacional, obtendo várias resenhas positivas (destaque na Rock Hard / Valhalla e sendo muito bem elogiados na Roadie Crew, sem contar os webzines que deram total apoio e resenharam positivamente nosso trabalho... ducaraio esse apoio e respaldo) e tendo feito os primeiros contatos com vários organizadores e bandas em âmbito nacional. Até o momento, conseguimos uma boa distribuição e temos materiais rodando por todos os cantos deste país, seja através de gravações “piratas” (sem miséria galera, podem copiar, o importante é a divulgação... rss...) ou por demos vendidas. Lá fora, tem gente que conhece o nosso trabalho através de rádios, que seriam na Bolívia e Argentina. Estamos lutando pra divulgar ao máximo o nosso som, mas com uma demo, poucas portas se abrem. Por isso mesmo é que estamos na luta para gravar o nosso Debut-CD. Não temos do que reclamar, mas pretendemos trabalhar ainda mais para divulgar nosso trabalho a todos, sem exceção.

7 – Me fale sobre a letra de "The Punishment" e também comente as outras. Como surge inspiração para escrever e como são criadas as musicas?
A letra “THE PUNISHMENT” é de autoria do Elvis, nosso baterista, e fala da forma como as bandas brasileiras são enxergadas. Não pelos estrangeiros, mas sim pelos próprios bangers brasileiros. Às vezes, a galera reclama de que a cena está fraca, que está rolando pouquíssimos shows, mas quando alguma banda que tem trabalho para divulgar vai fazer um show, este mesmo público se recusa a prestigiar, preferindo gastar os mesmos míseros 3 reais (por exemplo) em bebida. Nada contra bebida (pelo contrário – rss...), mas como alguém pode reclamar se ela não faz a parte dela? Por isso que sempre comentamos à todos que devemos prestigiar a cena e as bandas que trabalham profissionalmente. Esse tema é muito complicado, então deixamos ao público interpretar da forma que melhor achar. Os outros sons da demo falam de tirania no poder e manipulação da mente da população (TYRANNY), fanatismo religioso (SAVE YOUR SINFUL GOD), holocausto e as atrocidades da segunda guerra mundial (EVIL LEADER) e a ganância por dinheiro e poder dos grandes líderes (THE DOOMSDAY). A inspiração para escrever, vem do momento. Eu tenho o meu momento de inspiração e o Elvis deve ter o dele (basicamente, somos nós que compomos as letras...), mas para criar as músicas, muitas idéias surgiram praticamente fechadas e o restante no ensaio, vinda de qualquer membro da banda. Todos compõem, e talvez seja isso que torne divertido tocá-las (quanto a ouvi-las, deixo ao ouvinte decidir... rss...). Não temos fórmulas, então fica complicado explicar. Só sabemos que surgem e que fazemos / tocamos o que gostamos.

8 – Parabéns pela bela capa/encarte! Este foi o primeiro ou já fez outros? Fale sobre a imagem da capa em si e como surgiu a ótima idéia/iniciativa de colocar as letras traduzidas?

Obrigado pelo elogio, fico contente que tenha gostado. A capa do “Attack” foi a primeira que fiz e não tenho intenção de fazer outras. Deixaremos isso pra quem sabe realmente o que se deve fazer. A idéia da capa é mostrar a temática das nossas letras que seria a violência, desastres, caos, problemas pessoais, tirania e religião (entre outros), mas sem pretensão de ser algo “top”. A idéia de colocar as letras em um encarte, mesmo sendo em versão demo surgiu através da iniciativa de outra banda do ABC Paulista que admiramos muito, o TRANSFIXION, que também tem essa preocupação para com o fã e público. Não são todos que tem conhecimentos do idioma e, como cantamos em inglês, nada melhor do que proporcionar 100% de aproveitamento ao público que tiver o material em mãos.

9 – O próximo passo é mesmo um álbum completo. Como esta andando este projeto? Pode adiantar os titulo das musicas para o Odicelaf? Como elas estão soando?
Estamos com o cd composto e entraremos em estúdio para gravar em Janeiro de 2008. No momento estamos fechando a pré-produção e estamos muito ansiosos. No CD estará as faixas SAVE YOUR SINFUL GOD, THE PUNISHMENT, EVIL LEADER, THE DOOMSDAY e mais os sons novos (que não são tão novos assim): INVISIBLE ASSASSIN, DEATH TO DECEIVER, BOLDNESS e SPREAD THE SLAUGHTER. Talvez colocaremos mais um som (fechando o cd com 9 faixas), mas isso dependerá da parte financeira do orçamento. Talvez o CD terá também um Bônus que seria o clipe da faixa “THE PUNISHMENT” (que estamos tentando fechar as parcerias – tudo dependerá da parte financeira, pois dependemos de apoio de prefeitura e patrocinadores) e o CD será produzido e gravado em Belo Horizonte - MG por Cláudio David, guitarrista da banda mineira OVERDOSE, que já produziu o próprio Overdose, além do SARCOFAGO (The Laws of Scourge) e mais um monte de bandas mineiras. O nome do CD será REVOLUTION, RELIGION AND DISORDER, representando toda a temática das letras e crenças da banda e esperamos lança-lo até o final de 2008. As músicas estão mais profissionais e os sons novos tem uma pegada mais rápida para dar uma balanceada na projeto, já que na demo encontramos faixas como EVIL LEADER e THE PUNISHMENT que pendem mais ao peso e pegada do que à velocidade. Faremos o melhor para agradar a galera que já espera por nosso trabalho oficial. Esperamos não decepciona-los e estamos batalhando pra isso.

10 – O Thrash Metal praticado por vocês sofre influencia de Megadeth, Slayer e Pantera, mas o que você tem a dizer sobre o "boom" atual do Thrash anos oitenta? Esta foi a ultima. Obrigado Cleber por participar de meu humilde zine...
Bom, o thrash metal está em alta e ninguém pode negar. O POSTWAR é influenciado por bandas dos anos 80 como EXODUS, METALLICA Antigo, TESTAMENT, VENOM, além dos já citados MEGADETH e SLAYER, e várias outras bandas, mas com certeza, de forma igual às influências de PANTERA e sons mais atuais, como LAMB OF GOD e outras “porradas” posteriores aos 80’s. Acredito que, se o gosto pelo som 80’s for sincero e não modal, é bacana. O lance do visual eu respeito, mas não pratico, tanto que na banda só tem “porra-loka” de bermudão e camisa sem manga, “pouco se fudendo” com a moda, mas não vejo problema também em quem veste o visul. Sinceramente, acho que todos têm o livre-arbítrio para fazer o que achar melhor e cabe a cada um respeitar. Se todos tivessem de andar igual visualmente ou seguir algum tipo de regra, tudo perderia a graça, sabe? Cada um divulgando o seu trabalho e todos unidos para fortalecer a cena. E agradeço sinceramente a você, meu irmão, pelo espaço cedido tão humildemente a nos e pela consideração ao nosso trabalho. Espero ter conseguido passar um pouco da história do POSTWAR a todos os leitores do ODICELAF. Esperamos estar fazendo shows aí na região em breve, pois sabemos o público insano que o nordeste tem, sempre em prol da cena. Quero deixar aqui o meu abraço a você e a todos que respeitam o metal nacional, pois são vocês que fazem a diferença. Mandarei também um abraço aos meus irmãos de banda que estão na luta e desejo sorte e sucesso na batalha a todas as bandas que acompanham e participaram do teu zine, lutando por seus ideais. Valeu galera!

0 comentários: